terça-feira, 20 de abril de 2010

Prenúncio de um embate

"Era possível sentir o peso das Eras naquela atmosfera, depois de ultrapassado o último sigilo da Capela, Salomão sabia que pisava em solo outrora consagrado, e agora amaldiçoado, tocado pela última vez em tempos remotos, o cheiro de podridão exalava por trás daquela porta.

Prontamente tomou a dianteira dentre seus pares na intenção de identificar se existia algum mecanismo de proteção, não estava mais na sua zona de conforto. Adentrava o território dos Iluminados, estritamente proibido para Membros.

Salomão se concentrou por alguns instantes, sentindo o fluxo da Vitae irromper por seu corpo ampliando sua consciência. Aquela era uma zona intermediária entre os territórios, e não havia proteções ou dispositivos místicos de alerta.

A porta era de metal, bastante pesada, apresentando sinais de oxidação por toda a superfície. Com algum esforço ele cedeu, abrindo com um ruído abafado, a passagem conduzia para uma espécie de ante-sala seguida por um corredor. Ali a sensação de estagnação era ainda pior, nada vivo habitava aquele lugar lúgubre, seja rastejante ou peçonhento.

Os Iluminados apresentavam bastante agitação nas últimas noites, a Demência infesta a região e, por isso, é certo esperar por problemas à frente. O silêncio da confraria que o seguia de perto o incomodava, não confiava em nenhum deles, seus passos leves de demônios refletia nas paredes do local e retornava tonitruante em cada célula morta de sua pele, andavam por baixo da tumba de uma Igreja, certamente mais antiga que cada um.

A divagação de Salomão continua ao longo do corredor, até ser interrompida pelo de som sussurrado de vozes um algum local muito acima de onde se encontram. Por mais que se esforce não consegue distinguir nenhuma palavra, mas o ar gradativamente se torna menos rarefeito. Ao virar uma curva, ele vê à frente uma escada ao final do percurso.

A ansiedade do grupo é quase palpável e preenche a ausência de ruído, a Besta parece não se conter em esperar e resvala a superfície do pensamento racional, mas logo seu urro é engolfado pela escuridão do que foi sua alma, porém, o recado foi dado, ela está à espreita.

Uma nova expansão sensorial revela que o caminho está livre, e a distância é vencida em poucos segundos. A escada é interrompida em uma grade no teto, Salomão faz sinal para que os demais aguardem e adentra o que parece ser uma cela.

Em pé, o cubículo espartano sem janelas apresenta uma cama de pedra e uma mesa sem nenhum utensílio à vista. Uma porta de madeira mofada bem à frente.

Em questão de instantes, a Missão é recapitulada em sua mente: Pela glória da Casa Tremere, ´enecessário encontrar a tumba de Rafael e recuperar o rosário do maldito antigo.
Chamando seus compartes, Salomão toca a maçaneta da Porta."

by Helder Lavigne

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