quinta-feira, 22 de outubro de 2009

"-O senhor tem certeza, Capitão?

Desabafa vacilante o homem em meio a um gole de rum, enquanto olha suas cartas...

Outros cinco sentam-se à mesa...

À cabeceira, um homem de feições endurecidas....

O jogo desenrolara-se por horas, sem qualquer interrupção, após o capitão declarar o que seria feito no dia seguinte.

-Sim, meu caro Zanuf...

- É claro que tenho certeza...

Fala o capitão com voz grave e rochosa, aumentando em três vezes a aposta feita pelo Turco.

O jogador seguinte, foge da batida, apressando-se em levar, sua caneca à boca.

Evita olhar à sua direita, temendo revelar sua expressão.

Intimamente também, teme imensamente ser indagado.

O imenso núbio sentado à esquerda, segue. Atira sobre a mesa, metal e algumas pedras de alto valor.

-460 homens, meu senhor... Nove Navios...

Ele fala entre os dentes...

- Acredita mesmo que hoje é seu dia de sorte, Malaki?

Interrompe questionando de forma jocosa e com um sorriso cínico nos lábios, o homem de feições eslavas, coberto de ouro, sentado à esquerda do gigante negro.

Juras de morte parecem ser feitas por Malaki sem que uma palavra sequer fosse proferida, mas seu olhar aterrador não alterara de forma alguma o sorriso venenoso do jovem rapaz.

Este, inclina-se numa reverência rasgada, com claro tom de chiste, em direção à cabeceira da mesa, enquanto fala:

-Sinto muito, “my Lord”, mas esta rodada já encontra-se perdida para os senhores... No jogo de amanhã certamente terão mais sorte, visto que participarei da festa ao vosso lado...

Voltando à postura anterior e adquirindo um certo ar arrogante e irônico, ele continua

- Deixe-me ver.... Três Fortalezas, ou seriam torres?... Mil e quinhentos soldados? Uma esquadra por perto?

-Sem dúvidas... Será uma noite interessante!

Concluindo seu raciocínio com uma sonora gargalhada carregada de sarcasmo.

A expressão do capitão ameaça alterar-se...

O homem então se cala, ajeitando-se na pesada cadeira.

Sua expressão toma um ar incomum de seriedade.

-Eu pago o jogo, Capitão.

Ele fala, colocando cuidadosamente, algumas moedas sobre a mesa.

Agora é o Núbio quem sorri.

O último jogador se contém por alguns instantes...

Seus olhos fundos e cansados miram suas cartas, como que tentando enxerga-las e com expressão contrariada as atira à mesa num gesto abrupto, enquanto resmunga em inglês britânico:

-Maldito jogo, malditas cartas do inferno...

É novamente a vez de Zanuf.

Ele pára pensativo...

Seus olhos percorrem todo salão barulhento, como que no intuito de buscar a resposta entre os rostos dos ébrios e trapaceiros...

Finalmente, balançando lentamente a cabeça, como que reprovando a si mesmo pelo que faria em seguida, aproveitando o ímpeto de coragem que lhe tomara, trincando os dentes e em meio a um suspiro agoniado, ele fala:

Está pago... "

by Alan

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Bad Trip

Cidade Baixa, 17:23hs

As ruas vibram ao som frenético de rítmos populares. Os moradores, despreocupados e extasiados pelos altos indices de álcool, thc e decibéis, preparam-se para mais uma semana de tarefas cotidianas. Matheus observa e sorri. "-Como são ingênuos!" Pensa o jovem Cultista com um copo plástico de cerveja barata nas mãos. "-Melhor assim! A ignorância às vezes é mesmo uma benção!" Perdido em devaneios, ele apenas observa e sorri. "-Ô, pivete! chega aí!" A voz metálica e cheia de malícia arranca-o de seus pensamentos.
"-Tô ligado que cê é chegado numas parada pesada...chega aí, vei! Se ligue no queu discolei!"
"-Colé de merma, man? E cê lá tem nada que me interessa?"
"-Colé, pivete? Tá minstranhando, é? Chega aí!"
Com passos despreocupados e decididos, Matheus caminha até a esquina.
"-Colé?" pergunta com um tom de desafio.
"-Se ligue: Foi um pivete que descolou essa parada. Ele disse que é pra dar um pico!" Fala o jovem maltrapilho com um pequeno frasco de vidro nas mãos. Dentro do frasco, o líquido rubro chama a atenção de Matheus que o olha com seus olhos Despertos. Vitae. Vitae vampírico! Seu coração gela e seus Sentidos apitam como uma sirene de polícia.
"-Que porra é essa, man? Onde cê descolou isso?"
"-Coléééé, pivete? Tá cum medinho, é?"
Neste momento, três outros viciados se aproximam.
"-E aí, unseôtro? Descolou a parada?"
"-Oxe! E eu sou lá argum bufa-fria?" Num falei que ia descolá?" Diz o maltrapilho com o frasco rubro nas mãos, ostentando-o como uma espécie de troféu.
"-Essa é a tal da demença que cê disse?"
"-D E M E N C I A! Cê é burro mermo, né, vei? Num sabe nem falá o nome da parada!"
"-Demência?" Pensa Matheus fingindo despreocupação.
"Vai, vai, vai! Prepara logo isso aí, unseôtro! Num tenho a noite toda não!"
Matheus acende um "barro", seu foco para as Arte da Esfera da Mente. Um trago profundo e uma barrunfada..."A Paz de Erva!" Ele pensa ao realizar o ritual de proteção.
Enquanto isso, os outros quatros viciados aplicam-se na nova "parada".

...

Subúrbio ferroviário, 17:33hs

Matheus corre tentando despistar seus algoses. Ele clama pelo escudo da ignorância do Arcanum. "Preciso avisar o Dr. Bispo! Preciso chegar ao Nodo" A energia dos postes de iluminação estala num som agudo. Matheus sabe que as forças do Paradoxo estão cada vez mais perto. Muita Mágika Vulgar fora feita. "Estou perto agora...apenas..." Seu pensamento é brutalmente interrompido por uma rajada esmeralda de fogo infernal. Caído ao chão, com os membros carbonizados, Matheus tenta tocar os Pontos do Espaço-Tempo para tocar seu Santuário. Ele sabe que terá que sofrer os efeitos das Forças do Paradoxo por isso. Mas não há outra alternativa. "-Olá, Matheus! Adeus, Matheus!" O jovem menino de óculos de aros negros estende sua mão esquerda e todo o sangue de Matheus jorra numa espiral saindo dolorosamente dos poros do jovem Cultista.
"-Deliciem-se com a carne dele. Aproveitem! Já está bem-passada. Apenas me deixem um troféu. A cabeça." O diabólico Tremere dá as costas ao banquete e volta aos seus pensamentos: "-Sim, Mestre sinto que estamos próximos. Próximos como nunca!"

by Narrador.

O bom filho à casa torna

Faz uma semana desde que tive meu refúgio atacado e destruído. Uma semana desde que tive que fugir de minha cidade e procurar ajuda no principado de Salvador. Uma semana desde que meus amigos começaram a ser caçados e mortos.

Sim, em uma semana tive bastante perdas. Muitas coisas ficaram para trás, algumas para sempre, para toda a minha eternidade. Mas nessa semana, também pude ganhar outras.

Nessa semana, também pude mostrar aos malditos que, mesmo com a fuga, não irei me entregar facilmente e que irei dificultar a vida deles. Em uma semana os malditos sofreram baixas importantes, inclusive pelas minhas mãos. Diversas packs e um destacamento da Mão Negra foram destruídos.

Agora, com os malditos com o moral abalado e com as novas alianças que conquistei, está na hora de voltar para a minha cidade.

Agora está na hora de colocar os malditos para fugir de lá. Agora será o sentido contrário.

Agora como diz o ditado "O bom filho à casa torna".

by Elias "Rafu" Catan