"20 de Novembro de 1580 – África
Estou a três dias e três noites seguindo os rastro de Asad Montsho, não posso regressar para minha tribo sem ele. Noite passada pode ouvir seu grito de vitoria, pela manhã, encontrei a carcaça de uma zebra abatida. Ele vai estar mais lento esta noite e então terei a oportunidade perfeita.
O surpreendi quando bebia água no córrego, nossos olhares se cruzaram, mau podia vê-lo na escuridão. Somente seus olhos se sobressaiam. Passaram-se minutos, um estudando o outro, procurando fraquezas, mas nada.
Meu coração bateu devagar, calmo e paciente; parecia saber que dali era inevitável ter um vencedor. Ele tomou a iniciativa, como uma cobra deu um bote em minha direção, cobrindo longos metros com um salto mortal. Abaixei-me e me protegi com meu escudo, a força contra ele foi enorme e teve dificuldade para manter o equilíbrio. Ataquei algumas vezes com minha lança, mas ele dançava graciosamente na minha frente tornando meus golpes ineficazes. Ele avançou mais uma vez, porem com uma força renovada, parecia ter achado uma brecha em minhas defesas, maldito partiu meu escudo em dois. Meu coração começou a bater acelerado, e Asad Montsho sentiu o cheiro do medo.
Meu nervosismo me fez atacar de forma descuidada e o felino aproveitou para me desarma. Minha respiração forte e rápida, meu corpo dolorido e o medo tomando conta do meu coração não me permitiam pensar, planejar.
Asad iniciou um combate corporal, rolamos pelo chão da tundra, eu só pensava em não deixar que ele mordesse meu pescoço e assim desferisse um ataque final, ele se aproveitou para rasgar a pele de meu rosto com suas garras mais afiadas que qualquer navalha já vista, o sangue quente corria pela face e caia nos meus olhos fazendo-os arder. Conseguir sair de sua manobra e rolei para o lado e então nossos olhos voltaram a se encontrar.
No mesmo instante o medo passou, o nervosismo se transformou em calma e outros inúmeros minutos passaram. Devagar, porem com passos firmes ele caminhou ate mim, já não me colocava em posição de combate, já não o via como caça, mas como parte de mim, um pedaço do meu espírito que por muitos anos vagava a minha procura.
Asad lambeu meu rosto e a dor sumiu, minhas mão correram pelo seu pelo macio e negro e juntos caminhamos de volta a minha tribo."
by Marcos Cordeiro e Ráiden Coelho
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