terça-feira, 13 de outubro de 2009

Bad Trip

Cidade Baixa, 17:23hs

As ruas vibram ao som frenético de rítmos populares. Os moradores, despreocupados e extasiados pelos altos indices de álcool, thc e decibéis, preparam-se para mais uma semana de tarefas cotidianas. Matheus observa e sorri. "-Como são ingênuos!" Pensa o jovem Cultista com um copo plástico de cerveja barata nas mãos. "-Melhor assim! A ignorância às vezes é mesmo uma benção!" Perdido em devaneios, ele apenas observa e sorri. "-Ô, pivete! chega aí!" A voz metálica e cheia de malícia arranca-o de seus pensamentos.
"-Tô ligado que cê é chegado numas parada pesada...chega aí, vei! Se ligue no queu discolei!"
"-Colé de merma, man? E cê lá tem nada que me interessa?"
"-Colé, pivete? Tá minstranhando, é? Chega aí!"
Com passos despreocupados e decididos, Matheus caminha até a esquina.
"-Colé?" pergunta com um tom de desafio.
"-Se ligue: Foi um pivete que descolou essa parada. Ele disse que é pra dar um pico!" Fala o jovem maltrapilho com um pequeno frasco de vidro nas mãos. Dentro do frasco, o líquido rubro chama a atenção de Matheus que o olha com seus olhos Despertos. Vitae. Vitae vampírico! Seu coração gela e seus Sentidos apitam como uma sirene de polícia.
"-Que porra é essa, man? Onde cê descolou isso?"
"-Coléééé, pivete? Tá cum medinho, é?"
Neste momento, três outros viciados se aproximam.
"-E aí, unseôtro? Descolou a parada?"
"-Oxe! E eu sou lá argum bufa-fria?" Num falei que ia descolá?" Diz o maltrapilho com o frasco rubro nas mãos, ostentando-o como uma espécie de troféu.
"-Essa é a tal da demença que cê disse?"
"-D E M E N C I A! Cê é burro mermo, né, vei? Num sabe nem falá o nome da parada!"
"-Demência?" Pensa Matheus fingindo despreocupação.
"Vai, vai, vai! Prepara logo isso aí, unseôtro! Num tenho a noite toda não!"
Matheus acende um "barro", seu foco para as Arte da Esfera da Mente. Um trago profundo e uma barrunfada..."A Paz de Erva!" Ele pensa ao realizar o ritual de proteção.
Enquanto isso, os outros quatros viciados aplicam-se na nova "parada".

...

Subúrbio ferroviário, 17:33hs

Matheus corre tentando despistar seus algoses. Ele clama pelo escudo da ignorância do Arcanum. "Preciso avisar o Dr. Bispo! Preciso chegar ao Nodo" A energia dos postes de iluminação estala num som agudo. Matheus sabe que as forças do Paradoxo estão cada vez mais perto. Muita Mágika Vulgar fora feita. "Estou perto agora...apenas..." Seu pensamento é brutalmente interrompido por uma rajada esmeralda de fogo infernal. Caído ao chão, com os membros carbonizados, Matheus tenta tocar os Pontos do Espaço-Tempo para tocar seu Santuário. Ele sabe que terá que sofrer os efeitos das Forças do Paradoxo por isso. Mas não há outra alternativa. "-Olá, Matheus! Adeus, Matheus!" O jovem menino de óculos de aros negros estende sua mão esquerda e todo o sangue de Matheus jorra numa espiral saindo dolorosamente dos poros do jovem Cultista.
"-Deliciem-se com a carne dele. Aproveitem! Já está bem-passada. Apenas me deixem um troféu. A cabeça." O diabólico Tremere dá as costas ao banquete e volta aos seus pensamentos: "-Sim, Mestre sinto que estamos próximos. Próximos como nunca!"

by Narrador.

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