domingo, 24 de outubro de 2010

Quando Tudo Der Errado.

Sem duvida alguma, esse foi o pior discurso que já fiz para meu pelotão. Posso sentir que eles não se motivaram com minhas palavras. Como se soubessem, assim como eu, que não são capazes.

Nossa munição está no fim, o resgate irá demorar aproximadamente 20 horas, e depois dessa troca de fogo nem um pouco sigilosa, não podemos mais ficar escondidos.

A chuva cessa depois de 3 dias consecutivos. Fazendo um silencio ensurdecedor e dificultando ainda mais nossa aproximação. Vejo a certeza da morte espelhada nos olhos dos meus homens e sinto que metros a frente uma emboscada nos espera.

Sei que esses miseráveis já ouviram falar de mim e aposto que não me matarão até que pesquisas e exames detalhados forem feitos no meu corpo ainda vivo, e preciso usar isso como arma. Mas certamente muitos, ou talvez todos, dos meus homens morrerão. Mas infelizmente é isso que tem que ser feito.

Esses desgraçados são muitos, parecem que estão por toda parte, e mesmo que consigamos fazer um cadáver para cada cartucho que temos, não será o suficiente. Até porque existe mais deles de onde vão me levar, e certamente não é longe daqui.

Mesmo com a certeza da derrota meu pelotão reage melhor do que eu esperava frente à emboscada, e percebo que aprenderam exatamente da forma que ensinei. Mas mesmo com o excelente desempenho dos meus homens eles ainda tinham a vantagem numérica a favor.

O clarão abafado do relâmpago que explode no céu foi providencial para poder memorizar a localização de 10 desses desgraçados. É hora de chamar atenção deles, e me entregar. Mas não sem antes fazer dos meus 14 cartuchos, 14 cadáveres.

Em menos de meio minuto, mais da metade do meu pelotão havia tombado e nossa munição tinha chegado ao fim. Se eu não tivesse me revelado naquele momento com certeza todos estariam mortos. Graças a minha reputação talvez ainda consiga levar 4 vivos comigo. Espero que Arnold perceba meus sinais quando chegar o momento.

Andamos por cerca de 8 horas até chegarmos ao destacamento das tropas dos desgraçados. Realmente, eles são muitos!

Quatro torres de vigília com duas ponto 50 em cada, homens armados com no mínimo submetralhadoras, três barracos e um galpão sendo um deles com uma antena de transmissão e dois helicópteros. Com certeza o barraco com a antena é onde está nosso objetivo, mas terei que agir muito rápido.

Finalmente eles saíram. Parece que esses miseráveis já ouviram algumas coisas há meu respeito. Correntes de aço para me deter, e algemas nos meus homens. Que pena que não ouviram tudo.

Com certeza o comandante não se encontra aqui, pois já teriam me levado até ele se estivesse. Aproximadamente 20 homens transitam acima, e deve ser aquele alçapão no teto que leva até eles. Terei que quebrar não só as corrente como também a viga em que estou preso para providenciar uma saída maior e mais rápida, mas Arnold e os outros precisam despertar antes. Tenho menos de 10 horas para pegar o pacote e sair daqui, e preciso fazer isso como nos velhos tempos.

Sem duvida alguma, eu não teria conseguido sem a ajuda do Sr. Krawner. Agora posso entender suas palavras perfeitamente quando dizia que após a experiência eu me tornaria invencível, e com isso traria meus inimigos para mais próximo. Consegui o pacote e ainda trouxe um dos meus homens, embora não vá resistir por muito tempo nesse estado. O resgate não pode atrasar. Temos pouco tempo até que os miseráveis nos alcance.

Posso ver a descrença no olhar de Arnold diante meu desempenho nessa missão. Ele mal consegue se preocupar com seus ferimentos. Deve estar surpreso com tudo que fiz. Espero que o Sr. Krawner não queira realizar uma queima de arquivo com ele.

Se o resgate atrasasse mais alguns minutos não teria conseguido. Pelos meus cálculos eles devem estar a uns 400 metros. Provavelmente estão avistando o helicóptero também. Se me resgatarem nesse ponto entraram na linha de fogo deles. Tenho que me afastar desses miseráveis. E cair fora logo daqui.

Ver esses desgraçados daqui de cima, sendo fuzilados, só não é mais prazeroso do que a imagem da cara de espanto daquele desprezível comandante, a me ver arrebentar as correntes e destruir parte do teto do porão onde estávamos, e num mesmo movimento cravar-lhe uma lascada de viga que me detinha em seu peito.

_Ele perdeu muito sangue Capitão. Se não voltarmos agora ele morrerá.

Estão com sorte desgraçados. E ainda terão a honra e gloria de contar que estiveram frente ao Capitão Johann Von Webern, e ele não os matou.

_Capitão?

_Vamos retornar. A missão estar cumprida.

_O Sr. estar ferido Capitão? Esse sangue todo é seu?

_Estou bem Tenente. E não, esse sangue não é meu.

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